Administrando suas emoções

por Valéria Avallone – Consultora de Feng Shui e terapeuta radiestesista (ver currículo).

Cometemos, a meu ver, um equívoco básico quando falamos que precisamos controlar nossas emoções, já que o ideal, diz a crença da maioria, é sabermos nos colocar com voz calma, tranquila, centrada em qualquer situação de vida.
Ouço com certa frequência, tanto terapeutas quanto clientes, dizerem que estão conseguindo se conhecer melhor já que dificilmente levantam a voz, que raramente discutem ou mesmo se irritam com pessoas que por um motivo ou outro, fez algo desagradável.

Pois bem, o detalhe é que na maioria dos casos essa calma é apenas aparente. A emoção que vem de dentro quando alguém faz algo que nos irrita ou nos decepciona, normalmente é a raiva, o inconformismo e a sensação de estarmos levando uma apunhalada nas costas ou até mesmo de sermos incompreendidos.
Aí, aqueles que estão no caminho das terapias de autoconhecimento, seja como profissional ou como cliente, tendem a dizer que estão progredindo, melhorando, evoluindo.
Vejo por um outro aspecto essa reação aparentemente plácida.
Tenho percebido que muitos dos clientes que usam esse discurso em uma sessão de terapia acabam vindo na próxima, com uma irritação aparentemente não relacionada com o assunto anterior, o qual acredita já estar mais do que resolvido e compreendido.
Na minha forma de interpretar entendo como se na verdade nós apenas controlássemos à força, a emoção negativa que tanto queremos combater e impedir que simplesmente venha à tona nos desconcertando, nos fazendo chorar, brigar, discutir.
Concordo que essas não são mesmo as melhores formas de se resolver qualquer questão que seja, mas também reprimir as emoções negativas para que nos mantenhamos em um aparente equilíbrio e calma, não ajuda muito.
Quando reprimimos emoções negativas, a contemos dentro de nós mesmos e mais cedo ou mais tarde, essas emoções irão querer sair desse cativeiro. O detalhe é que elas nunca escolhem a melhor forma para se exteriorizarem saindo de onde foram enterradas de qualquer jeito.
Nessa exteriorização à força e de forma desgovernada, é muito comum que a pessoa nessa situação de aparente calma e equilíbrio, descarregue todas as suas frustrações e emoções contidas, no ouvido de quem estiver disponível naquele instante.

Aí, ao invés de resolver algo que já estava em andamento, acaba por criar muitas vezes um outro problema de relacionamento com outra pessoa que a principio nada tinha a ver com o anterior. Ao invés de um problema a resolver, acabou ficando com ao menos dois a serem resolvidos.
Outra consequência bastante frequente nesses casos é descarregar esse emocional no seu próprio corpo físico gerando distúrbios aparentemente sem fundamento.
Um exemplo clássico é o desequilíbrio do meridiano do fígado que causa dor no fundo do olho, torções, tropeções, problemas nos pés, mal estar, tonturas, torcicolos, problemas nevrálgicos como o ciático, entre tantas outras possibilidades.
A raiva e outras emoções contidas e mantidas de baixo do tapete para que não lidemos com elas, podem causar problemas de saúde desde os mais simples e passageiros como os mais sérios e crônicos dependendo da recorrência dessa forma de agir consigo mesmo.

Minha sugestão é que avalie a possibilidade de ao invés evitar a emoção negativa que incomoda e que realmente deve ser resolvida, passando a administrá-la.
Administrar é dirigir algo o que é ligeiramente diferente de controlar que remete a ter o domínio sobre alguma coisa, fato ou pessoa. Ou seja, administrar não necessariamente quer dizer controlar, ter o domínio.
Ter a postura de administrar suas emoções significa que está em busca da tomada de consciência do que ou do por que você permitiu que seu equilíbrio e centramento fossem arrebatados.
É estar em busca da compreensão, do aprendizado da causa da sua emoção negativa sem, contudo, se preocupar apenas em controlá-la ou mesmo ignorá-la.

Administrar suas emoções negativas não é negligenciá-las e sim querer vê-las e identificá-las em todos os níveis e sentidos possíveis. Apenas dessa forma se torna possível compreender onde estão suas brechas emocionais para que possa fechá-las de forma saudável, liberando por consequência, a emoção negativa sem mantê-la dentro de si.
O que é negativo só existe para que compreendamos algo em nossa vida, em nossas posturas, em nosso emocional. Se ao invés de fugirmos disso procurarmos entender qual o aprendizado a ser aprendido, conseguiremos transmutar nossos defeitos em virtudes de forma mais leve e saudável.